POLíTICA • 3 min read
Lula sem filtro: o preconceito que a MILITÂNCIA PETISTA chama de APOIO AS MULHERES.
por Diogo da Silva Cerqueira
26 de agosto de 2026 · 01:18
Quando o preconceito vira “gafe”: as falas de Lula que reforçam sexismo e racismo
Presidente acumula declarações que reduzem mulheres à aparência e reproduzem estereótipos raciais
Chamar de “gafe” uma declaração isolada faz sentido. Quando as frases preconceituosas se repetem, o problema ganha outro nome. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acumula comentários que reforçam ideias sexistas e estereótipos raciais. São falas públicas, registradas durante compromissos oficiais e pronunciadas por quem ocupa o cargo mais importante da República.
Em março de 2025, Lula afirmou que colocou uma “mulher bonita” na articulação política para melhorar a relação do governo com o Congresso. A declaração se referia à ministra Gleisi Hoffmann. Ao destacar a beleza da ministra como instrumento de negociação, o presidente deixou sua experiência e sua capacidade política em segundo plano. A mulher apareceu como recurso de sedução em um espaço comandado por homens. A declaração foi registrada pela Folha de S.Paulo.
Dois meses antes, durante a cerimônia que lembrou os ataques de 8 de janeiro, Lula disse ser um “amante da democracia”. Para justificar a comparação, declarou que amantes costumam receber mais paixão que esposas. O comentário repetiu uma visão que normaliza a infidelidade masculina e coloca a esposa como mulher menos desejada. A fala ocorreu em uma solenidade destinada à defesa das instituições democráticas, segundo registro da CNN Brasil.
Outros episódios mostram a mesma dificuldade. Em maio de 2024, Lula perguntou a uma mãe de cinco filhos quando ela iria “fechar a porteira”. Em março daquele ano, resumiu a independência profissional feminina à compra de “batom e calcinha”. Em julho, ao comentar uma pesquisa sobre o aumento da violência contra mulheres depois de partidas de futebol, acrescentou que, “se o cara for corintiano, tudo bem”.
A tentativa de fazer humor sobre violência doméstica merece reprovação direta. Uma piada presidencial alcança milhões de pessoas e ajuda a definir o limite do comportamento tolerado no debate público. O cargo exige responsabilidade maior, não licença para diminuir a gravidade da agressão.
As declarações raciais também formam um histórico preocupante. Em fevereiro de 2024, Lula viu uma jovem negra durante um evento na Volkswagen e associou sua presença à música e ao tambor. Disse que uma “afrodescendente assim gosta de um batuque”. A jovem era estudante de engenharia e havia recebido um prêmio internacional como aprendiz. Antes de reconhecer sua conquista, o presidente recorreu a estereótipos ligados à cor, ao corpo e à cultura negra. O episódio recebeu críticas de integrantes do movimento negro, conforme relatou a Folha de S.Paulo.
Em julho de 2023, durante visita a Cabo Verde, Lula declarou “profunda gratidão” à África por tudo que teria sido produzido durante 350 anos de escravidão. A frase inverteu a responsabilidade histórica. O Brasil não recebeu um benefício voluntário do continente africano. Milhões de pessoas foram sequestradas, escravizadas e submetidas a violência. A riqueza produzida nesse período nasceu do trabalho forçado.
Durante as enchentes de 2024, o presidente também afirmou que desconhecia a existência de tantas pessoas negras no Rio Grande do Sul. Em seguida, relacionou essa presença à pobreza e à ocupação de áreas de risco. O contexto tratava da desigualdade racial, mas a surpresa presidencial expôs a invisibilidade histórica da população negra gaúcha.
Lula mantém uma trajetória política ligada a programas sociais, políticas de igualdade racial e ampliação da presença feminina no governo. Esse histórico não apaga suas palavras. A defesa de direitos perde força quando o próprio presidente reduz mulheres à beleza, transforma violência doméstica em piada ou associa pessoas negras a estereótipos.
Criticar essas falas não exige adesão à oposição. Políticos adversários de Lula também possuem históricos de declarações misóginas e racistas. O preconceito de um grupo não absolve o preconceito do outro. O debate precisa avaliar cada conduta com o mesmo rigor.
O presidente representa o Estado brasileiro. Sua fala orienta aliados, ocupa os meios de comunicação e chega às salas de aula, às famílias e aos ambientes de trabalho. Quando ele repete ideias sexistas ou raciais, ajuda a manter padrões que seu próprio governo afirma combater.
Lula precisa reconhecer os erros, pedir desculpas às pessoas atingidas e abandonar esse tipo de comentário. Tratar cada episódio como simples improviso protege o autor da fala e transfere o impacto para mulheres e pessoas negras. A posição política do presidente não lhe concede imunidade contra a crítica. O respeito também deve começar no Palácio do Planalto.
imagem: redeglobo