CARINHANHA • 3 min read
GESTÃO DE CHICA DO PT NA MIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Despacho do Ministério Público aponta suspeitas de desvio de finalidade em Obras Públicas.
06 de agosto de 2026 · 22:50
A gestão da prefeita Chica do PT, em Carinhanha, terá de prestar esclarecimentos sobre a aplicação de recursos públicos destinados à educação. Despacho do Ministério Público do Estado da Bahia, assinado em 13 de julho de 2026, determinou o encaminhamento de uma representação ao Ministério Público Federal para apuração de possíveis irregularidades envolvendo recursos do FUNDEB.
O procedimento teve origem em uma representação apresentada por Adinalva Rodrigues da Silva, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Carinhanha (SINSPUC). Segundo o documento, foram relatadas suspeitas de desvio de finalidade, fraudes, superfaturamento, falta de transparência e pagamentos por serviços que supostamente não teriam sido executados.
As denúncias envolvem os contratos administrativos nº 061/2024-PMC e nº 142/2025-PMC.
O Contrato nº 061/2024-PMC, firmado com a empresa DG-MONT Consultoria e Construções Ltda., envolve serviços de manutenção preventiva e corretiva em unidades escolares. A representação destaca a situação da Escola Municipal Lindaura Brito de Assunção, que, apesar de estar em reforma havia aproximadamente dois anos, permaneceria em condições de abandono e precariedade física, mesmo diante da realização de pagamentos considerados elevados à empresa contratada.
O contraste entre dinheiro público desembolsado e uma escola supostamente abandonada levanta questionamentos graves sobre a fiscalização exercida pela administração municipal. Se os serviços foram pagos, a gestão precisa mostrar, de forma clara e documental, o que foi efetivamente executado, quanto foi gasto em cada unidade e quem atestou a realização das obras.
O segundo caso envolve o Contrato nº 142/2025-PMC, celebrado com a empresa Facilite Serviços & Terceirização Ltda., no valor global de R$ 8.802.210,12. De acordo com a representação mencionada no despacho, existem suspeitas de utilização inadequada de recursos vinculados à educação, falta de transparência e pagamentos por serviços de terceirização de mão de obra que não teriam sido executados.
Durante a análise preliminar, o Ministério Público estadual constatou que o contrato foi financiado parcialmente com recursos da complementação da União ao FUNDEB, na modalidade VAAT. A informação estaria demonstrada por extratos contratuais, notas de empenho, liquidações e ordens de pagamento incluídas no procedimento.
Como há dinheiro federal envolvido, o Ministério Público da Bahia declarou não possuir atribuição para continuar essa parte da investigação e encaminhou a íntegra dos autos à Procuradoria da República no Município de Guanambi, unidade do Ministério Público Federal responsável pela defesa do patrimônio público federal.
É importante esclarecer que o despacho não condena a prefeita Chica do PT, não confirma a existência de desvio de recursos e também não representa o arquivamento definitivo das suspeitas. A decisão apenas transfere a apuração ao órgão considerado competente, justamente porque parte dos recursos analisados tem origem federal.
Ainda assim, o encaminhamento ao MPF amplia a gravidade política do episódio. Uma administração que se apresenta como defensora da educação e dos trabalhadores públicos não pode tratar como assunto secundário denúncias que envolvem contratos milionários, possíveis serviços não executados e escolas em situação precária.
A população de Carinhanha tem o direito de saber onde, quando e como cada centavo destinado à educação foi utilizado. A gestão municipal deve publicar contratos, aditivos, medições, relatórios de fiscalização, listas de trabalhadores terceirizados, comprovantes de execução e pagamentos realizados. Transparência não pode existir apenas no discurso ou em documentos difíceis de localizar.
Também é necessário esclarecer quem fiscalizou os contratos, quem autorizou os pagamentos e quais providências foram adotadas para verificar a efetiva execução dos serviços. Caso a administração considere as denúncias improcedentes, deverá demonstrar isso por meio de documentos e permitir o controle dos órgãos públicos e da sociedade.
O caso agora seguirá para análise do Ministério Público Federal. Até que a apuração seja concluída, as irregularidades permanecem no campo das suspeitas. Entretanto, a responsabilidade política da prefeita e de sua equipe em oferecer respostas públicas, objetivas e comprováveis já existe.
Em uma cidade que enfrenta necessidades urgentes na educação, contratos milionários cercados por questionamentos exigem mais que notas oficiais genéricas. Exigem prestação de contas, transparência integral e respeito ao dinheiro público.
A reportagem deixa espaço aberto para que a Prefeitura de Carinhanha, a prefeita Chica do PT e as empresas citadas apresentem esclarecimentos, documentos e suas respectivas versões sobre os fatos.
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